
Perfil - Virgílio José de Almeida
Quanto é bela e ditosa esta menina!
Sua tez cor de rosa aveludada,
Reflete os esplendores da alvorada
Quando o sol se espreguiça na campina.
Quando no prado, ela colhia flores,
Beijava sempre a flor mais perfumosa.
Era tão bela como a branca rosa
Entre a harmonia idilial das cores!
À tarde, contemplando as ondas mansas,
Ela descansa à sombra das palmeiras.
O leve colibri de asas ligeiras
Beija o colar das suas negras tranças
Nessas manhãs de sol e de poesia,
Ela desperta tão mimosa e bela,
Que a brisa se aproxima da janela
Para beijar-lhe o rosto e dar bom dia.
Quando ao piano ela recita um verso
Na ligeira expressão das semifusas.
Vão seus acordes despertar as musas
Que se embalam na rede do Universo.
Traduz a alma da flor primaveril,
Dos jardins luminosos de Castália,
Origem dos vergéis de um lar da Itália,
Linda flor dos pomares do Brasil!
Salvador, fevereiro de 1953 |
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