
| CELIA LAMOUNIER
Junho dia 30 é aniversário!
O meu amigo João
Apaga contente 86 velinhas
Ouvindo PARABÉNS em Salvador.
Juntos, NÓS, os seus amigos
Uma vez mais vamos desejar
Seja feliz, pleno de sucesso
Tenha a certeza da nossa
Inteira e grande admiração.
Neste dia, para você,
Irmanados em pensamento
Aqui longe estaremos perto
Nirvana abençoado, enviando
O abraço virtual da amizade.
Célia Lamounier de Araújo
Oi Célia, muito obrigado,
Você de fato é um bocado
De luz e de coração.
Ser seu amigo e confrade
É ter a felicidade,
De sentir-me mais João.
Sua palavra é uma prece
Sobe-me a alma e engrandece,
Toca bem fundo a emoção.
Faz-me em força engrandecido
E faz crer-me, não duvido,
Do meu eu, do meu João.
Onde nasci, a fazenda,
Que já não traz a legenda
De meus pais nem dos irmãos...
Ainda me marca a lembrança
Dos meus dias de criança
N´alma, na mente, nas mãos...
E rodo... O tempo passou,
O vento dos sonhos levou
As esperanças, o amor...
E eu aos oitenta e seis
Mantenho a glória dos reis
- Um rei deposto é senhor!
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COROA
DE SONETOS: A UM VULTO
A duas mãos por
João e Célia, são 15 sonetos encadeados.
1- João Justiniano da Fonseca -
BA - 09.09.03
Sozinho, Deus, assim como nasci,
vejo-me hoje, nos oitenta e três.
Lei do destino ou lei de Deus, as leis
são para ser cumpridas, e as cumpri.
Lutei, suei... O sonho consenti
a sábios e boçais, a reis e greis!
Se hoje ainda tivesse, outra vez
oferecera-o, como ofereci.
Voltar atrás, poder voltar à infância
e começar de novo, estância a estância,
desde a picula ao baba, escola e estudo...
Ir-me em seguida ampliando, passo a passo:
Mais esperança e fé, que ao mundo, eu acho,
É tão pequeno este meu sonho mudo.
2 - Célia Lamounier de Araújo -MG 21.09.03
É tão pequeno este meu sonho mudo
saber viver sem trégua e sem temor,
buscando ser sempre feliz em tudo
na troca de palavras mais amor.
Estar crescendo numa casa tal
que tenha bom conforto e ambiente
onde existir é ter um ideal
viver por ele e estar ali presente.
Seguir vivendo plena de amizades
na busca ideal de luz e verdades
construir igualdade e ser querida
Por muito tempo estar sempre contente
e plantar distribuindo a semente
de ter amor e ser retribuída.
3- João Justiniano - 21.09.03
De ter amor e ser retribuída
é o ideal, o sonho da mulher.
Ser a esposa ou a segunda, é ser qualquer;
quer ser a única, não dividida.
Por isso ela me disse na partida:
não voltes nunca mais, quero viver
sem nunca ouvir falar de ti, sequer!
E viverei feliz por toda a vida.
Busca outra, que outro eu buscarei.
O amor há de ser simples como a lei
do coração. E há de ser puro em tudo.
Guarda como lição essa palavra:
minha sede de amor é sede brava,
meu corpo aceso guarda um grito agudo
4 - Célia Lamounier em 24.09.03
Meu corpo aceso guarda um grito agudo
que vai rolar ao infinito mar
pois com a felicidade, se me iludo,
irei cantar, dançar, de amor gritar.
Ao vento, ao rio, ao mar, gritar ao céu
irei na eterna busca de um alguém
sincero, bom, correto, andante ao léu
que junto a mim será feliz também.
Por esse alguém hei de me reflorir
em flor e fruto ou rosa a repartir
num tempo de nós dois, amor e vida.
E dia e noite, caminhando a dois
vamos assim no passo a passo pois
minha alma virgem quer ser possuída.
5 - João Justiniano 24-09-03
Minha alma virgem quer ser possuída
em igualdade de pureza e amor.
Se o corpo é luz e fogo, puro ardor,
a alma é luz e lírio branco, vida!
A alma da gente unida ao corpo, ama
com intenso calor e igual desejo...
E somam-se no amor, sopro e realejo,
num grito único de acesa chama.
Assim não foi. Teu corpo ao meu unido,
a alma me relegaste a um só gemido
de dor profunda, enorme, verdadeira.
E eu, curtido de mágoas, dor, complexo,
vi que sem alma, falta amor no sexo:
- é tão pequena a vida passageira...
6 - Célia Lamounier em 06.10.03:
É tão pequena a vida passageira
se o tempo escoa breve encaminhando
os passos, corpo e alma pela beira
estreita do horizonte, céus buscando.
Pequena a vida pode ser imensa
querendo por amor ao céu chegar,
amar é ser feliz, ter vida intensa
crescer, evoluir, com Deus andar.
E no desabrochar desta existência
encontra-se o saber com paciência,
mistérios de um amor são desvendados.
Pequena a vida é feita de saudade
porque estão vivendo na realidade
o homem e a mulher tão separados.
7 - João Justiniano em 8-10-003
O homem e a mulher tão separados,
em divórcio de amor, de corações!
O terrorismo e a guerra entre as nações,
velhos padrões morais estiolados.
O homem se esquece de que Deus existe
e existem calendário e esgotamento.
Galo na rinha e rei sem sentimento,
castiga, mata e esfola - espada em riste.
Não há fronteiras entre o bem e o mal,
a vilania e o furto têm floral,
passeia o mundo na total cegueira!
O mal cavalga o tempo e prevalece
o amor se esgota e morre numa prece...
amor é ave de arribação, ligeira...
8 Célia Lamounier em 11.10.03
Amor é ave de arribação, ligeira,
chegando vem do além do arco-íris
trazendo-me esperança alvissareira
de que não vais de mim, jamais, fugires.
Coração meu, de amor gaiola aberta,
sonhando corpo e alma bem querer
espera o canto, na jornada incerta
do pássaro amor lhe reconhecer.
O tempo passa... O amor já não me vem.
fica o corpo lasso e a alma também
com sonhos e desejos abafados
Descobrindo afinal grande verdade:
o amor é ave rara de saudade
que pousa sempre em galhos desligados.
9 - João Justiniano em 12-10.03
Que pousa sempre em galhos desligados?
- O amor, o sonho, a terna fantasia
que ilumina a esperança dia a dia
e amplia a mora dos desconsolados?
Se pulsa o coração e a alma estremece,
se a vida te sorri e a alegria
permeia e eleva a alma, se a harmonia
canta, composta em módulos de prece...
Porque não esperar que o edifício
erguido alto marque o frontispício
de festivos brasões, felicidade?
Porque não esperar que na quermesse
da vida, novo amor não te acontece,
abandonada e plena de ansiedade?
10 Célia Lamounier em 12.10.03
Abandonada e plena de ansiedade
vivendo o dia a dia no trabalho
vitoriosa com a realidade
alma cismando corpo no borralho.
Contente e descontente,eu curto a sina
de ter amor e amor não encontrar
entendo bem que a vida nos ensina
o amor talvez está noutro lugar.
No tempo certo chega - um Cupido
lançando flechas; coração ferido
se entrega a outro, manso e sem lutar.
Saber da vida com fé e esperança
que o amor existe e assim, na confiança,
um vulto em minha estrada busco amar.
11 João Justiniano em 13-10-003
Um vulto em minha estrada, busco amar
e ele me entrega o seu amor sincero.
Revérbero do sol no azul do mar?
Não sei! Só sei que vem. Só sei que espero!
E quando me chegar, o vulto amado,
depois de tanta busca e tanta espera,
eu hei de recebê-lo sublimado
como quem vem do céu, da estratosfera!
No meu passado, o amor foi insincero,
e veio dos peraus, do lagamar,
troca-passo de frívolo bolero...
Vindo do céu azul, do verde mar,
que será este vulto que eu espero?
- o vulto é sonho que se esvai no ar...
12 Célia Lamounier em 15.10.03
O vulto é sonho que se esvai no ar
ao acordar voltando num sorriso
perde-se o vulto sem poder amar.
Quero dormir, ter o meu paraíso.
Pois antes sonhar e sofrer vivendo
que sem sonhos sofrer viva porque
o vulto é uma esperança, está crescendo
na imagem que eu revejo de você.
Você, nem sei se existe sobre a terra
Você, sonho de paz e amor sem guerra
Canção azul, raio de sol, meu jade.
Espero por você, em sonhos vulto
Que busco para ver seu rosto oculto
Sonho tão simples de felicidade!
13 João Justiniano em 16-10-003
Sonho tão simples de felicidade...
Felicidade Fada, inatingível,
acima, sempre acima do alto nível
onde a elevamos desde a tenra idade!
Felicidade, sonho vão, mentira
que se busca na vida hora por hora,
e, quando a vislumbramos vai-se embora
sem acendermos sua ardente pira...
Felicidade, elevo a mão, tão perto
como as verdes miragens do deserto
ela foge e se esvai, se desbarata...
Nem sequer a vislumbro, eis que na altura
onde se põe, a imagem desfigura:
o sonho passa; o corpo, o tempo mata.
14 Célia Lamounier em 16.10.03
O sonho passa; o corpo, o tempo mata
E minhalma, essa desconhecida,
Esvoaça na busca do amor e acata
Um desejo de ser eterna a vida.
Mas não... eterna é a desesperança
Na busca inútil de um imenso amor
O corpo da mulher que foi criança
Já mostra rugas, perdeu seu calor.
Tudo é pequeno neste tempo estranho
E embora assim, em seu real tamanho,
Um ser, em corpo e alma, Deus retrata
O ser é grão, é gota, é criatura...
O tempo passa, conhece amargura
e, tão pequena, a vida segue ingrata.
15-SONETO A UM VULTO (soneto-TEMA da coroa)
Célia Lamounier de Araújo - 1986
É tão pequeno este meu sonho mudo
de ter amor e ser retribuída
meu corpo aceso guarda um grito agudo
minha alma virgem quer ser possuída.
É tão pequena a vida passageira
o homem e a mulher tão separados
amor é ave de arribação, ligeira,
que pousa sempre em galhos desligados.
Abandonada e plena de ansiedade
um vulto em minha estrada busco amar
o vulto é sonho que se esvái no ar.
Sonho tão simples de felicidade!
o sonho passa; o corpo, o tempo mata
e, tão pequena, a vida segue ingrata. |
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