QUANDO A MORTE CHEGAR
Delasnieve Daspet
Quando a morte chegar em meu árduo caminho,
que venha sem alarde, sorrateiramente;
de olhos abertos vou aguardá-la, com carinho,
como aquele que espera a amada, longamente...
Quando a morte surgir... hei-de ir tão sozinho
tal como vim ao mundo - voluntariamente.
Vou partir sem lamúria, bem devagarinho,
como quem sabe que vai voltar novamente...
Quando eu me for... não quero, por favor, tristeza.
Eu auguro uma longa ronda de beleza,
de quentes cafezinhos, poemas e canções.
Aos que eu feri, perdão, rogo por meus pecados;
aos que meu mal quiseram, estão perdoados,
pois só deve reinar amor nos corações!
TRANSVALORAÇÃO
Até quando teremos orgulho dessa pequenez ridícula em aplaudir
o que não esta correto?!
O bandido é o mocinho.
Só a título de se frisar este eterno contraditório humano, os
jornais estão cheios de assuntos sobre atos degradantes, aliás, até aqui na Internet
vemos proliferar comportamentos indignos com apoio dos que se dizem "bons - especiais
- filés - os que se julgam de uma casta superior - os fazedores de guerras -
dilapidadoras de fortunas e vidas alheias".
Espero que a terra lhes seja leve... porque é certo que uma hora
desabarão.
Transvaloração - é precisamente o inverter de posições e de
valores. NIETZSCHE usava este termo.
Na obra de NIETZSCHE, essa reversão seria consumado pelo
niilismo até as últimas conseqüências e ao revertê-lo, transforma-se em niilismo
afirmativo - ou seja, um ponto de início de uma nova tábua de valores, questionáveis ou
não... deslocando-se o eixo da verdade... e o malfeito, digamos assim, passa a ser o
parâmetro do verdadeiro... A verdade, ainda que robustamente demonstrada - passa a ser
não verdade.
Falo, também, em versos , com ponto de vista diferentes o
tema - submetendo idéias e atitudes como plena vida ou degeneração,
questionando as verdades nesta atual inversão de valores morais que tem gerado conceitos
que corroem o lar, a sociedade, o País.
JULGAR
Já parou para pensar
quantas vezes por dia julgamos os outros?
Do cabelo mal penteado, a unha mal feita,
maneira de sentar, de falar, de agir
tudo é motivo de chacota!
Já parou para observar quantas vezes falamos de
alguém ausente... atacamos, denegrimos,
e o coitado nem fica sabendo!
Malhamos... malhamos... e incrível como
as pessoas falam mal uma das outras.
Ninguém se importa com o que diz e
que pode prejudicar, pois,
na maioria das vezes, são inverdades!
O fato pode até ter existido
mas o que se conta e reconta
são distorções, olhar enviesado que se tem da situação.
Perde-se o amigo mas não a fofoca...
- um ditado mudado -
no exercício que se pratica dia a dia,
de "jogar pedra na Geni".
O que fazemos?
Nada... a gente se deixa levar
esperando que o tempo nos conduza
na morte lenta dos valores da vida... |