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POESIA - BRADOS DO SERTAO 

...É bem um brado de revolta, a merecer ressonâncias na acústica administrativa, o livro de versos de Joao Justiniano da Fonseca, flagrando as angústias das regioes nordestinas.

Se, de fato, a linguagem metrificada ou rítmica deve ser portadora de mensagens, o autor de BRADOS DO SERTAO, atingiu de cheio seu objetivo, revelando a seus coevos e as geraçoes despontantes as grandes justiças sociais que desajustam as populaçoes sertenejas, sobretudo o Nordeste.

Sem preocupaçao de escolas literárias, mas submisso a rítmos específicos a transmissao emocional da idéia. BRADOS DO SERTAO apresenta-nos  um punhado de versos polimétricos, vividos e sentidos no ambiente agreste das regioes esquecidas pelos poderes constituídos.

Em suas páginas, nota-se a intençao romântica do autor, centralizada na pessoa de Flora, integrando uma família de retirantes, na esperança de encontrar em S. Paulo a Terra da Promissao.

Na realidade, porém, BRADOS DO SERTAO é mais um libelo, do que um poema romântico, tendendo mais para a epopéia do que para a poesia lírica.

Maneiras personalíssimas de sentir a natureza telúrica e de descrever as causas do exodo de sua gente.

A ordem a que se impôs, na realizaçao do pensamento, e uma constante de sua personalidade literária e como tal deve ser aceita.

A seu modo, emitiu uma grande mensagem de reivindicaçoes humanas, para sua terra e seu povo.

E ninguém lhe poderá negar esse merecimento.

Flávio de Paula.