ROMANCE
CACIMBA SECA
Integrante de
uma Comissão de Seleção de Textos, li pela primeira vez o romance Cacimba Seca, de
João Justiniano da Fonseca, nessa condição.
Relido seu romance, com o
possível distanciamento, mantém-se a impressão inicial: se não prescinde da
substância social, ganha em emoção e poesia pela contensão da linguagem, como se
verifica na abertura do livro: "o homem - o pai - lá embaixo na cacimba, puxando
água, lata a lata. E a água no chora-chora, minando devagarzinho", fixando o homem
diante da seca, sem que o desespero lhe sirva de moldura.
Sem pretender uma ficção histórica, mas antes acompanhar a
trajetória do homem, João Justiniano, através de Domingos de Afonseca e Azevedo,
levanta o desbravamento da caatinga e a fundação da Aldeia de Rodelas a que se
incorporam os homens brancos a ocupar as terras em nome de El-Rei e os padres capuchinhos
que foram catequisar os índios, lá construíram a Capela e o Cemitério.
Cacimba Seca, ao reafirmar o talento de seu autor, impõe-se como
obra definitiva, de profunda densidade humana e literária.
Guido
Guerra |