IMPOSSÍVEL
Passaste em minha vida vaporosa,
leve, impossível como a nuvem passa.
A luz do teu olhar era a ditosa,
vaga esperança que o tormento embaça.
Rias, cantavas, rias desdenhosa,
eu, lentamente, ia sorvendo a taça
de uma ilusão, sutil e caprichosa,
a rir contigo, em tudo em tudo achando graça.
Nada no mundo além de nós havia.
Doce e feliz a vida nos sorria.
Té que paramos. Onde? Qual o porto?
Nem vimos o impossível nos bradando...
Despertamos chorando, apenas quando
meu coração era o de um vivo morto.
IMPULSOS
Olha-me ainda com esse olhar de fogo,
ouve meu rogo, ouve meu canto langue.
Deixa que eu tome a seiva dessa vida,
mulher querida, em transfusão de sangue.
Ó sê propícia minha doce amada,
não negues nada ao teu poeta amante.
Do amor sigamos esse impulso forte,
inda que a morte envolva-nos num instante.
O teu segredo de mulher supina,
corpo de Vênus, alma de menina,
amiga, fala ao meu ouvido, fala.
E com o teu beijo, sensação divina,
vem ser meu estro, o coração me embala!
Dar-te-ei mil versos de topázio e opala... |