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ROMANCE - TERRA INUNDADA 

          João Justiniano da Fonseca é um regionalista que não perde de vista o universal, seus dramas sertanejos têm muito de tragédia grega. A força criativa já revelada em !Cacimba Seca", seu primeiro Romance, confirma-se nessa "Terra Inundada" que me prendeu da primeira página à última. A morte cavalga o vento na caatinga condenada. Quem escapa de morrer de sede, nas secas prolongadas, é enxotado da terra pelas águas das grandes barragens construídas para saciar a fome de energia do desenvolvimento industrial. Antes do grande dilúvio promovido pela CHESF na região de Sobradinho, Santo Antonio da Glória foi afogada para que Paulo Afonso deixasse de gritar pelos engenheiros do Brasil, e a mãe de Cipriano das Flores Capivara fosse esconder sua desonra em São Paulo, onde se empregou como doméstica no palacete de um próspero jurista, onde seu filho cresceria e se faria homem, para um dia voltar ao rincão natal a fim de resgatar o seu passado.

          Há momentos verdadeiramente dostoiéviskianos nesse romance, que não é fruto da improvisação, mas resulta de acurada observação da realidade serteneja. Com "Terra Imundada" João Justiniano da Fonseca coloca-se entre os mais expressivos nomes do regionalismo baiano.

Wilson Lins